O ESTADO DE SP
JUNHO, 2015

CONDOMÍNIO OU VILA?

Para quem ama viver em casa, duas modalidades distintas de morar

Marcelo Lima

Vila ou condomínio? Façam suas escolhas. Quem sempre sonhou em morar em uma casa, terá muito o que observar na sua visita à Casa Cor. A poucos passos de distância uma da outra, é possível desfrutar tanto da atmosfera bucólica de uma vila urbana quanto da tranquilidade sugerida por uma alameda de condomínio, com suas residências não delimitada por muros, mas por densa camada de vegetação.

Tudo começa logo na entrada que este ano apresenta uma instalação arquitetônica, conduzida pelo escritório FGMF Arquitetos de Fernando Forte, Lourenço Gimenes e Rodrigo Marcondes Ferraz. Uma ampla marquise, que funcionando como uma espécie de portal, engloba as áreas de recepção do evento, além de direcionar os visitantes para um dos pontos altos da mostra: o exuberante jardim assinado por Gilberto Elkis, que exibe o colorido exótico de plantas típicas da Mata Atlântica.

A partir dele, é possível acessar dois setores residenciais de conteúdo distinto, mas que ainda assim sugiram como resposta a uma necessidade construtiva comum. A saber, o compromisso da direção do evento de preservar as construções pré-existentes no terreno do Jockey – pequenas casas, além de alguns edifícios de apoio -, bem como de algumas árvores centenárias, a maioria delas tombada. “A princípio, os profissionais tomam essa diretriz como um fator limitante, mas logo começam a adaptar seus projetos às exigências de cada terreno e o resultado é sempre enriquecedor”, comenta Cristina Ferraz, diretora de relacionamento da Casa Cor.

“Encapuzar os interiores da casa com painéis translúcidos de vidro foi a forma que encontrei para trazer esse espaço de época para os dias de hoje, sem correr o risco de descaracterizá-los”, conta a arquiteta Patrícia Martinez, responsável por um dos projetos residenciais em exibição na pequena vila. “A horta do hall de entrada, no que representa de hábito ancestral e consumo consciente, completa a ponte entre passado e futuro”, observa.

Serpentear a vegetação existente, tirando o máximo proveito dessa condição, foi por sua vez o desafio enfrentado pelos arquitetos que optaram por erguer seus projetos frente à alameda anexa à vila. Ali no lugar de construções, a necessidade de preservação absoluta recaiu sobre algumas árvores, que, de uma forma ou de outra, acabam tendo de ser integradas aos projetos. Uma condição que ao final acabou se revelando compensadora. “Dá mais trabalho, sem dúvida, mais o nível de autenticidade alcançado pelo construído é muito maior”, observa Gilberto Cioni, que, em parceria com Olegário de Sá, assina uma das residências implantas no local.

– No espaço Casa da Gente, Marina Linhares apostou em móveis nacionais, como as cadeiras e a mesa de jantar da Etel. Abaixo, espelhos Alva também da Etel, cadeira triangular de Jorge Zalszupin, e a mesa de centro da Casual. Ao lado, a entrada da casa com horta.