O ESTADO DE SP
DEZEMBRO, 2014

NA SALA OU NA ESTANTE

Antena, Marcelo Lima

 

Safra de livros para os aficionados por decoração é boa opção de presente no Natal – ou de leitura de férias

 

As livrarias reservam boas surpresas para os leitores interessados em decoração. Às vésperas do Natal e das férias de verão, cinco lançamentos chegam ao mercado, apresentando a trajetória profissional, além das muitas histórias, de cinco profissionais com longo histórico no setor.

 

Sig Style (Toriba Editora, 320 págs., R$ 260), lançado no fim do mês passado, se propõe a celebrar os 60 anos do arquiteto paulista Sig Bergamin, em 13 capítulos, que passam em revista seu universo pessoal e profissional, por meio de uma abordagem direta, em maiores formalismos. O texto é do jornalista Allex Colontonio e a ideia é apresentar a vida e o trabalho do profissional na forma de um grande diário de bordo.

 

“Não esperem um manual, uma biografia ou um portfólio convencional em organização cronológica ou algo do gênero. Sig Style sou eu, sem filtros, com pouca prosa e muitas imagens”, adverte o arquiteto logo nas páginas iniciais do livro. Além da farta documentação fotográfica, o livro conta com depoimentos de clientes e amigos, como o empresário e publicitário Nizan Guanaes, que já teve diversas de suas casas decoradas por Bergamin.

 

Comemorando 38 anos de profissão, o baiano David Bastos apresenta em David Bastos Arquitetura Brasileira (Editora Zeta, 400 págs., R$ 294) 38 de seus principais projetos, selecionados entre arquitetura, design de interiores e mostras. Em todos eles, a nítida opção pelo desenho moldado em torno de espaços abertos – uma das características fundamentais do arquiteto –, sem barreiras para limitar os olhos ou, como pontua ele, o próprio pensamento. “Gosto de espaços que permitam que o olhar vá para além da casa”, resume.

 

“Decoração é o pacote de uma vida. Pessoas têm suas referencias e apegos, impossível cortar esses laços com suas histórias pessoais na hora de decorar, impor ao cliente o que quer que seja. Sou como uma curadora de vidas que procura desvendar os mistérios de cada morador e encontrar o eu de cada casa”, comenta a arquiteta Marina Linhares, autora de Morar é viver (Editora Equador, 320 págs., R$ 196).

 

Com fotos de Romulo Fialdini, o livro comemora os 20 anos de carreira de Marina, apresentando espações residenciais, segundo ela, para serem vividos com simplicidade e conforto. E nada mais. “Procuro misturar passado e presente, encontrar a melhor luz para cada ambiente ou apenas aproximo a natureza das pessoas”, pondera Marina, que apresente em Morar é viver suas reflexões sobre temas como convívio, aconchego, intimidade e sabor. Além de suas ideias e vivencias, apresentadas de maneira simples e prática.

Menos voltados para a apresentação ilustrada da obra dos profissionais, mas ainda assim repletos de interesse para quem se interessa pelo cotidiano e, principalmente, pelos bastidores da decoração, dois outros volumes acabam de chegar às prateleiras da cidade.

 

Como decorei a minha vida (Editora BTX.COMM, 304 págs., R$ 85), da decoradora Suzana Schermann, descreve a vida da decoração, com passagens pitorescas de sua vida e carreira, incluindo o modo inesperado como chegou à profissão. “Meu primeiro trabalho foi decorar a cabana de uma prostituta do cais do porto, a Cabana da Julieta, em uma mostra de decoração em Ilha Bela, em 2004”, conta.

 

Considerado por muitos a grande dama da decoração no Brasil, a polonesa Olga Krell acaba de ganhar uma merecida retrospectiva de sua vida e carreira, em livro que leva seu nome (Capella Editorial, 268 págs., R$ 100). O trabalho foi conduzido pelo jornalista Claudio Yida, que contabiliza 30 anos de intensa convivência com Olga. “Quem já conhece um pouco da história dela com certeza vai relembrar muitas das passagens. Mas mesmo quem não teve nenhum contato com o desenrolar de sua carreira poderá assimilar de imediato o que ela significou – e significa – para a decoração brasileira”, afirma Yida.